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Vai faltar arroz por causa do RS? Supermercados dizem que não. Preço sobe 7,21% este ano

12/05/2024

Dados do IBGE mostram que cereal iniciava uma queda antes da tragédia gaúcha, recuando 1,93% em abril. Mas cotação no atacado subiu em maio. Rio Grande do Sul responde por 70% da produção nacional

Antes mesmo das chuvas no Rio Grande do Sul, o preço do arroz já vinha em forte alta nos últimos meses. Este ano, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 10, pelo IBGE, o cereal ficou 7,21% mais caro. Em março e abril, as cotações chegaram a recuar - no mês passado, a queda foi de 1,93%. Mas isso depois de sete meses seguidos de alta. Considerando o intervalo de um ano encerrado em abril, o cereal subiu 25,46% - bem acima da inflação no período, que foi de 3,69%.

E, após o alívio em março e abril, as cotações já começam a subir no atacado, como reflexo das chuvas no Rio Grande do Sul. Em redes sociais, há relatos de supermercados limitando a compra do produto em Minas Gerais, Espírito Santo e em alguns estados do Nordeste, diante de uma procura maior dos consumidores. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirmou que não há risco iminente de desabastecimento de gêneros alimentícios no país: A entidade está monitorando os produtos oriundos da região afetada, a exemplo do arroz, do leite, da carne suína e de frutas, e, juntamente com o governo, poderá adotar medidas adicionais, se necessário, para garantir que as famílias tenham acesso aos itens essenciais, diz o comunicado da Abras.

RS é responsável por 70% da produção de arroz no país

O Rio Grande do Sul responde por 70% da produção de arroz no país. Boa parte da safra já havia sido colhida antes da tragédia climática. Mas o impacto das inundações sobre os armazéns e as dificuldades de escoar a produção do estado para o resto do país deve afetar os preços nos próximos meses. Por isso, o governo Lula anunciou que iria importar emergencialmente, uma tonelada de arroz. A produção no país é muito ajustada ao seu consumo, em torno de 10 milhões de toneladas por ano. Ou seja, em situações normais, o Brasil quase não compra arroz do exterior. André Almeida, gerente do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no IBGE, explica que o arroz vem subindo nos últimos meses tanto por conta do El Niño, que afetou a produção de alimentos no país, quanto por questões climáticas em outros países. A gente teve no segundo semestre do ano passado uma questão climática que afetou a Índia, uma região produtora de arroz. No ano passado, a Índia bloqueou todas as exportações do produto e isso acabou influenciando também o preço do arroz no mercado internacional. Então, tem a questão da produção interna, mas também tem esses outros fatores, afirma. Almeida lembra que o Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz no país, e a recente tragédia no estado por conta do alto volume de chuvas pode acabar se refletindo na produção: Essas chuvas podem acabar impactando a produção desses produtos, mas como isso vai se refletir nos preços ao consumidor final a gente precisa aguardar para saber, pondera. Antes das chuvas, a previsão era de uma safra de 7,4 milhões de toneladas de arroz no Rio Grande do Sul este ano. Segundo a consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, o estado já havia colhido 78% da área plantada, ou seja, restava colher 1,6 milhão de toneladas de arroz. As tempestades deixaram as lavouras debaixo da água, inviabilizando as atividades de campo. Além disso, algumas estradas estão interditadas, o que também dificulta o carregamento do cereal, afirma a consultoria, em relatório. Os preços do arroz já começam a subir no atacado. Segundo levantamento diário feito da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz do Cepea/USP, a saca de 50kg do arroz do tipo 1 no Rio Grande do Sul – que é a referência para a cotação nacional – estava em R$ 99,15 na média da semana de 1 a 5 de abril. Nesta semana, entre os dias 6 e 9 de maio, o preço médio foi de R$ 107,36. exame

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